terça-feira, 21 de novembro de 2017

FELICIDADE(2)

Por todos é um estado almejado,
Pessoal, individual e coletivo,
Nunca opcional, sempre eletivo,
Pelo inocente e o mais calejado.

Cada um sonha de um jeito,
Idealiza o sorriso permanente,
Sem entender do que ele é feito,
Se ele é sincero ou se mente...

E tentamos ao longo da vida,
Não importa a alma ferida...
Mas a cicatrização eficiente,
Ao alcance daquele consciente.

E há o paradoxo da felicidade...
O ignorante alcança com simplicidade,
O sábio consegue, ao superar o fútil,
E o mediano se perde na busca inútil.

PERDÃO(2)

Palavra banalizada no cotidiano,
Proferida pelo sábio e pelo mediano,
Que não percebem o essencial...
A nobreza de tal ato especial.

O ser humano tem que propagar,
E praticar tamanho desprendimento,
Sem esperar o alheio arrependimento,
A agressão, sua mente deve apagar...

Mas é raro perdoar realmente,
O coração tenta e o cérebro é alerta,
O rancor insiste como chaga aberta,
Perpetuando-se no corpo e na mente.

O perdão cura o agredido...
O perdão livra o agressor...
A Justiça condena o repressor,
E a vida ensina o ofendido.

É muito difícil este exercício,
Exige contrição e sacrifício,
Perdoar é condição para evoluir,
Algum dia hei de conseguir.

sábado, 21 de outubro de 2017

ASSUSTADO

Constatei realidade sombria,
Da perda de certo sabor,
De sentir o gosto quando sorria,
Da vida que não parecia favor.

Sonhar era vício desocupado,
Natural, leve e frequente,
Do subconsciente inconsequente...
Num cérebro despreocupado.

Mas hoje o sonho desapareceu,
E nem saudade permaneceu,
Não sei se é doença ou amargura,
É indiferença, mais que tortura...

O susto virou sobressalto,
Perdi a leveza num assalto,
O susto feneceu, sublimou...
E o assustado algum dia amou.

Que perda irreparável!
Que ser intolerável!
Há tempo para retroceder?
Há inteligência para reaprender?

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

BECO DO POETA

Seria o melhor de todos,
Sem enganos ou engodos,
Aquele beco de muros escritos,
Democráticos, livres, sem ritos...

Ficaria por muito tempo estático,
Lendo depoimento frugal ou enfático,
Desvendando o mundo do autor,
Revelado na palavra sem tutor.

Não conheço um beco real,
E tento habitar o clone virtual,
Com cúmplices, mais que habitantes,
Do tempo medido em instantes.

O espaço do muro fica infinito,
Com bytes em nuvem arquivados,
Desafio para cérebros esquivados,
Da realidade para o sonho bonito.

FILOSOFIA

Ah... essa tal e vã filosofia,
Pensamento profundo que desafia,
Provoca desconforto inquestionável,
E a simplicidade não é retornável.

Os fantasmas do eu viram comparsas,
Quando são escancaradas as farsas,
E a complexidade humana fica nua,
A inconsciência coletiva é minha e sua.

Os pensadores são provocativos,
Desafiam mentes cartesianas,
E os cérebros meio inativos...
Saudades das normas keynesianas...

As ilusões podem não ser perdidas,
Mas são questionadas a cada minuto,
E o mundo alargou suas medidas,
Perdeu-se a fronteira do ser diminuto.

CONFISSÃO

Um dia ainda vou admitir,
Que você foi meu grande amor, 
Mas fui sutil no meu clamor,
E foi inútil continuar e insistir.

Admita: você sempre percebia...
Nos toques e mensagens que recebia,
Gestos ora sutis, ora explícitos,
E nos infalíveis atos solícitos. 

Mas de fato você nunca deu bola, 
Visto que amor não é esmola,
E de repente tudo ficou cristalino,
Era quase um espírito natalino...

A amizade era mero conhecimento,
Uma refeição sem muito condimento,
Ações educadas meio ofensivas,
Por serem gélidas e defensivas.

E olha que um dia senti emoção,
No desconsolo segurei forte sua mão,
Estava ali para o que desse e viesse,
Mas era a fragilidade daquele estresse...

Depois tudo voltou ao normal,
Previsível sentimento formal,
E nos afastamos completamente,
Sem palavras, mudez simplesmente...

Sempre te levarei comigo,
Não importa o tempo, nem distância,
Queria ser seu homem e não amigo,
Sonho impossível em qualquer instância.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

PRISIONEIRO

Você amadurece e tenta liberdade...
Vive na ilusão da tranquilidade,
Certo que conquistou indiferença,
Enfrentando tudo sem convalescença.

As ações são sóbrias e certas,
Com pessoas comuns e espertas,
Sentimentos previsíveis e lineares,
Sem atalhos perpendiculares.

Mas há um fantasma a persistir,
Inodoro, insípido e incolor,
Camuflado com poeira e bolor,
Que você jura não existir.

A ciência engatinha para definir,
E você não consegue discernir,
Prisioneiro indefeso inconsciente...
Das sabotagens do subconsciente.

POBREZA

Qual a tradução de pobreza?
Poucos recursos monetários...
Mas define espíritos totalitários,
E pode esconder certa nobreza.

A analogia direta com dinheiro...
Explica pouca coisa, de fato,
Simplificação rude, sem tato...
Visão turva na bruma, do festeiro.

A pobreza de sentimentos revolta,
A pobreza de valores condena,
A virtude não quebra, mas empena,
A certeza inspira e não tem volta.

Se fôssemos mais conscientes,
Pobreza seria mera retórica,
Presente em fábula histórica,
Ausente na vida, sem ingredientes...

domingo, 3 de setembro de 2017

MADRUGADA

Madrugada gelada e silenciosa,
Insistente na vida perniciosa...
Madrugada introspectiva e solitária,
Alimenta-se na mente totalitária.

Madrugada longa e insistente,
Continua firme e persistente,
Num ritmo constante e vagaroso,
Qual punhal pungente e doloroso.

Madrugada infalível e irritante,
Convive com o meu ser mutante...
Camufla a sombra e a claridade,
Só não disfarça a realidade.

Madrugada finita e fugidia,
Foge da neurose e não remedia...
Madrugada se foi e não sentencia,
Mas amanhã ela chega e reinicia.

ESTRELAS

Estrela da música, estrela do esporte,
Todos querem brilhar, serem eternos...
E assim, sufocam choros internos,
Constroem futuro com melhor sorte.

Estrela dourada, estrela prateada,
Fictícia no papel, real no firmamento...
Desperta admiração e sentimento,
É até símbolo da coragem laureada.

Estrela infantil, estrela almejada,
Prêmio do comportamento empenhado,
Brilha no teto do quarto desenhado,
É sonho e parte da vida desejada.

Estrela anã, estrela gigante,
Captada no telescópio tecnológico,
Confunde a noção do cronológico,
Mas deixará de ser errante...

Estrela própria, estrela interna,
Acende e apaga qual lanterna,
Influencia o corpo e a mente,
Apagar jamais, piscar somente...