terça-feira, 17 de outubro de 2017

PRISIONEIRO

Você amadurece e tenta liberdade...
Vive na ilusão da tranquilidade,
Certo que conquistou indiferença,
Enfrentando tudo sem convalescença.

As ações são sóbrias e certas,
Com pessoas comuns e espertas,
Sentimentos previsíveis e lineares,
Sem atalhos perpendiculares.

Mas há um fantasma a persistir,
Inodoro, insípido e incolor,
Camuflado com poeira e bolor,
Que você jura não existir.

A ciência engatinha para definir,
E você não consegue discernir,
Prisioneiro indefeso inconsciente...
Das sabotagens do subconsciente.

POBREZA

Qual a tradução de pobreza?
Poucos recursos monetários...
Mas define espíritos totalitários,
E pode esconder certa nobreza.

A analogia direta com dinheiro...
Explica pouca coisa, de fato,
Simplificação rude, sem tato...
Visão turva na bruma, do festeiro.

A pobreza de sentimentos revolta,
A pobreza de valores condena,
A virtude não quebra, mas empena,
A certeza inspira e não tem volta.

Se fôssemos mais conscientes,
Pobreza seria mera retórica,
Presente em fábula histórica,
Ausente na vida, sem ingredientes...

domingo, 3 de setembro de 2017

MADRUGADA

Madrugada gelada e silenciosa,
Insistente na vida perniciosa...
Madrugada introspectiva e solitária,
Alimenta-se na mente totalitária.

Madrugada longa e insistente,
Continua firme e persistente,
Num ritmo constante e vagaroso,
Qual punhal pungente e doloroso.

Madrugada infalível e irritante,
Convive com o meu ser mutante...
Camufla a sombra e a claridade,
Só não disfarça a realidade.

Madrugada finita e fugidia,
Foge da neurose e não remedia...
Madrugada se foi e não sentencia,
Mas amanhã ela chega e reinicia.

ESTRELAS

Estrela da música, estrela do esporte,
Todos querem brilhar, serem eternos...
E assim, sufocam choros internos,
Constroem futuro com melhor sorte.

Estrela dourada, estrela prateada,
Fictícia no papel, real no firmamento...
Desperta admiração e sentimento,
É até símbolo da coragem laureada.

Estrela infantil, estrela almejada,
Prêmio do comportamento empenhado,
Brilha no teto do quarto desenhado,
É sonho e parte da vida desejada.

Estrela anã, estrela gigante,
Captada no telescópio tecnológico,
Confunde a noção do cronológico,
Mas deixará de ser errante...

Estrela própria, estrela interna,
Acende e apaga qual lanterna,
Influencia o corpo e a mente,
Apagar jamais, piscar somente...

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

NÓS & NÓS

Seríamos um casal na cumplicidade,
Ou amigos na tristeza e felicidade...
Um grupo grande ou ínfimo,
“Nós” é pronome genérico e íntimo.

Mas há os frouxos e apertados,
Que hora dificultam ou dão firmeza,
E estarão na alegria e na tristeza,
Permanecendo ou sendo desatados.

Palavra ambígua e monossilábica,
Aplicável a termos muito distintos,
Definidos na oração sem instintos,
Tentando visão clara e não estrábica.

Unifica grupos até em algazarras,
E pode proporcionar muita certeza,
Mas a sabedoria, além da esperteza,
Sente o pronome e solta as amarras.

domingo, 20 de agosto de 2017

(A)BRAÇOS

Nos meus (a)braços, os agasalhei...
Nos meus (a)braços, vocês adormeceram,
Ficaram mais pesados e cresceram,
Tentei educar, acertei e falhei.

Nos meus (a)braços eu os suspendi...
Nos meus (a)braços, até dei segurança,
Ensinei algo e mostrei esperança,
E quis acertar, quando me arrependi.

Sem meus (a)braços, viraram homens...
Sem meus (a)braços, os sonhos continuaram,
Inseguranças e provas enfrentaram,
Ficaram na ficção aqueles lobisomens.

Com seus (a)braços, hoje são adultos...
Com seus (a)braços, abraçam o mundo,
Analisam a maré e mergulham fundo...
Pelas minhas faltas, peço indultos.

Para seus (a)braços, estarei sem clamor...
Para seus (a)braços, só desejo conquistas,
Os anos passam deixando certas pistas,
O que nunca passará é o meu amor.

AMOR ADORMECIDO (2)

Amor adormecido, amor entorpecido,
Por decepções e algumas agruras,
Que viraram certas amarguras,
De um passado a ser esquecido.

Amor adormecido, amor enternecido,
Porque ninguém vive sem amar,
Sentimento difícil de semear,
Em solo novo ou envelhecido.

Amor adormecido, amor ensandecido,
Teima ficar, embora desprezado.
Esteja você alegre ou enfezado...
Ou deseje apenas, ter desaparecido.

Amor adormecido, amor agradecido,
Foi importante em algum momento,
Tem que acabar com este tormento,
Tem que despertar do sono merecido.

PAPAI NOEL NÃO EXISTE

Papai Noel, Santa Claus, São Nicolau,
Seja como você o reconhecer,
Ele some da sua mente ao amanhecer,
Afinal você não foi bom, nem mau...

A vida segue com estímulos concretos,
As contas a pagar, preocupações...
As amizades sinceras e as dissimulações...
E os planos cada vez mais discretos.

Papai Noel não existe e isto você sabe,
Mas, você foi bom sem esperar nada?
E se sua alma, de amor foi impregnada?
E a honra de tentar, até que o sonho acabe?

E quando você riu de um sorriso de criança?
Encantou-se pelo comportamento de um animal?
Revoltou-se e agiu evitando algum mal....
Trocou a impossibilidade por esperança...

Papai Noel não existe, é mera convenção...
Ou você o mata a cada segundo?
E ele ressuscita em você, pedindo atenção...
E a sua gota no oceano do mundo?

Papai Noel nunca deixará de existir,
Se fizermos todos nós, alguma parte,
Plantando uma semente ou fazendo arte...
Eles querem matá-lo, cabe-nos resistir...

DESAFIO DA PALAVRA

São anos estudando a linguagem,
Lendo vários livros diferentes,
Concebidos por diversas mentes,
E eu embarcando em nova viagem...

Vocabulário diverso e até rebuscado,
Na hora de rimar, facilita um bocado,
Descreve o átomo e a célula,
Mas não explica a fé à incrédula...

Tantas palavras, tantos poetas...
Dramaturgos brilhantes e profetas...
Ensaístas e talentosos novelistas,
Todos incapazes de deixar pistas...

Como descrever aquele momento?
O sorriso, o detalhe e a gargalhada...
E a emoção na voz falhada?
Palavras não traduzem o sentimento.

E por mais que possam tentar,
Continuarão incapazes de induzir...
A missão árdua de transplantar...
A emoção impossível de traduzir.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

À SOMBRA

À sombra da árvore fiquei observando,
O balançar da folha e o pássaro voando.
À sombra da árvore respirei fundo,
Tentando entender este diverso mundo.

À sombra da árvore pus-me a meditar,
Esta tarefa rara... um difícil exercício.
À sombra da árvore dormi sem sacrifício,
Esquecendo o que insiste em me interditar.

À sombra da árvore alonguei o momento,
Tornando mais lento o meu biorritmo.
À sombra da árvore tornei-me íntimo...
De mim mesmo questionando o tempo.

À sombra da árvore enfrentei o fantasma,
Embora a guerra seja longa e penosa...
À sombra da árvore fiquei imune à asma,
Situação fictícia, mas maravilhosa.